
Existem movimentos de justiça climática em toda a África. A África Ocidental nem sempre esteve devidamente representada neles, apesar de enfrentar os mesmos desafios ambientais e sociais. O WACMO foi convocado para colmatar essa lacuna e organizar a região como um todo.
Em toda a sub-região há movimentos que se mobilizam contra os sintomas da crise, sem uma estrutura comum que reúna esses esforços. Há trabalho sobre agricultura e soberania alimentar. Há trabalho sobre desflorestação e desertificação. Ativistas da região participam em espaços continentais de justiça climática, mas aí o foco raramente recai sobre as preocupações que mais importam aqui.
Isto importa porque a região cresce depressa, a um ritmo estimado de 2,8 por cento ao ano, num contexto de terra e água cada vez mais escassas. Há três fatores que tornam singular a situação da África Ocidental.
As barreiras linguísticas e as dificuldades de deslocação também limitam quem pode participar nas reuniões continentais. Um movimento dentro da região torna a participação possível para quem vive a crise, e não apenas para quem consegue chegar às salas onde ela é discutida.
Identificadas no documento fundador do movimento. Cada uma atravessa fronteiras, e nenhuma pode ser resolvida por um só país.
Pressão sobre as terras em todo o alto Sahel, provocada pela interação entre a seca e a má gestão dos recursos ambientais.

Tanto na faixa da floresta tropical como no Sahel, incluindo espécies protegidas como o pau-rosa, levando consigo habitats, biodiversidade e meios de subsistência.
Os padrões de precipitação estão a mudar e a adaptação não acompanhou o ritmo. As inundações atingem hoje todas as zonas ecológicas da região.
Dakar, Acra e Lagos situam-se todas no litoral. No Delta do Níger, uma subida de um metro do nível do mar inunda até 80 km para o interior.
A mobilidade dentro do Sahel e para fora dele, com vidas perdidas no Mediterrâneo, ainda raramente é reconhecida como deslocação climática.
Secas graves trouxeram a fome ao Mali, ao Chade, ao Níger, ao Burkina Faso e à Mauritânia, e preveem-se mais.
O lago Chade é o caso mais evidente do continente. Rios que secam e espécies invasoras obrigam os pastores a deslocar-se, e o conflito vem a seguir.
O colonialismo não se limitou a extrair minerais e mão de obra. Extraiu uma relação. A terra tornou-se propriedade. As florestas tornaram-se madeira. Os rios tornaram-se rotas comerciais.Prof. Youba SokonaDiscurso principal no encontro de Abuja
Os organizadores do movimento pela justiça climática defendem que as plataformas continentais, embora necessárias, dão pouco peso às preocupações específicas da África Ocidental, e que é preciso um movimento sub-regional a par delas.
A Health of Mother Earth Foundation reúne ativistas da justiça climática, organizações da sociedade civil, académicos e representantes de comunidades do Burkina Faso, do Gana, da Guiné, do Mali, da Nigéria, da Serra Leoa e do Togo, sob o tema Construir Solidariedade pela Justiça Climática na África Ocidental.
São aprovadas doze resoluções, desde a rejeição dos mercados de carbono nocivos até à criação de uma liderança rotativa e de uma campanha regional anual de plantação de árvores.
O WACMO prossegue como plataforma centrada nas pessoas para a solidariedade regional, a advocacia coordenada, a partilha de conhecimento, a investigação e a ação.

Quem menos contribuiu para a crise não deve suportar o seu custo.
O direito a um clima seguro é inseparável dos direitos à alimentação, à água, à saúde, à terra e aos meios de subsistência.
As comunidades da linha da frente lideram, em vez de serem consultadas depois de tomada a decisão.
O conhecimento que existe na região constitui prova, e tem lugar na sala onde se escrevem as políticas.
Terra, florestas e rios como bens comuns a guardar, e não como ativos a transacionar.
Decisões avaliadas à luz de quem as vai herdar.
Organizações ambientais, sindicatos, grupos de mulheres e de jovens, agricultores, pescadores, comunidades religiosas, investigadores, artistas e detentores de conhecimento indígena. A justiça climática não é um evento, uma conferência ou uma declaração. É uma prática diária de solidariedade.