Os impactos climáticos não respeitam fronteiras nacionais. No Burkina Faso, no Gana, na Guiné, no Mali, na Nigéria, na Serra Leoa e no Togo, as comunidades enfrentam as mesmas inundações, as mesmas secas, a mesma extração. O WACMO existe para que deixem de enfrentar tudo isto sozinhas.

As secas prolongadas ameaçam a agricultura. A subida do nível do mar está a engolir comunidades costeiras. As inundações destroem infraestruturas, a desertificação avança pelo Sahel e a insegurança alimentar agrava-se. Este não é um cenário futuro. É a realidade presente de milhões de pessoas cuja pegada de carbono é uma fração da pegada de quem construiu o sistema.
Os movimentos da região têm travado estas lutas de forma isolada, muitas vezes a competir pela mesma atenção enquanto enfrentam o mesmo modelo económico extrativista. O Movimento da África Ocidental pela Justiça Climática foi convocado para pôr fim a esse isolamento e organizar a região como um todo.
A solidariedade é a força vital de qualquer movimento. É ela que nos permite partilhar a dor, partilhar a esperança, partilhar ideias e partilhar responsabilidades.Nnimmo BasseyDiretor Executivo, Health of Mother Earth Foundation, no encontro de Abuja
Uma plataforma permanente, centrada nas pessoas, para a solidariedade regional, a organização coletiva, a advocacia coordenada, a partilha de conhecimento, a investigação e a ação.

Doze resoluções, adotadas pelos delegados em Abuja a 15 de julho de 2026, no encerramento da Mesa-Redonda da África Ocidental sobre Justiça Climática.
Reforçar o WACMO como plataforma permanente, centrada nas pessoas, para a região
Mapear e mobilizar os movimentos, as redes e o conhecimento popular que já temos
Aproveitar a diversidade linguística da região para aprofundar a consciência climática
Defender uma governação climática baseada em direitos, decidida de forma aberta
Promover uma transição energética justa, de propriedade comunitária e centrada nas comunidades
Exigir responsabilização climática internacional e financiamento sob a forma de subvenções
Rejeitar as falsas soluções climáticas, incluindo os mercados de carbono nocivos
Reforçar a governação ambiental, a transparência e a fiscalização
Proteger o espaço cívico e as pessoas que defendem o ambiente
Instituir uma liderança rotativa e investir na juventude e na investigação da região
Construir comunidades resilientes através da adaptação liderada pelas comunidades
Institucionalizar uma campanha anual de plantação de árvores em toda a África Ocidental
Convocados pela Health of Mother Earth Foundation, delegados de sete países reuniram-se em Abuja sob o tema Construir Solidariedade pela Justiça Climática na África Ocidental e decidiram criar um movimento regional permanente.
A crise climática não é um acidente. Não é azar. Não é obra de Deus.
É a consequência conhecida de antemão, anunciada com antecedência e deliberadamente tolerada de um sistema que escolheu o lucro em vez das pessoas, a extração em vez da gestão responsável e a acumulação em vez da sobrevivência.
Prof. Youba SokonaDiscurso principal no encontro de Abuja
As florestas tornam-se ativos de carbono. As comunidades tornam-se obstáculos. A natureza torna-se mais uma mercadoria a transacionar.
Nnimmo BasseyDiretor Executivo, Health of Mother Earth Foundation
Tudo o que o movimento adota é publicado na íntegra.
Declaração15 de julho de 2026 · Abuja
Doze resoluções, adotadas no encerramento da mesa-redonda, com as constatações que lhes deram origem: sobre mercados de carbono, dívida climática, consentimento livre, prévio e informado e uma campanha regional anual de plantação de árvores.
Relatório15 de julho de 2026 · Abuja
O registo completo do segundo encontro, incluindo Nnimmo Bassey sobre a solidariedade e as falsas soluções, e o discurso principal do Prof. Youba Sokona sobre soberania, colonialismo e o futuro da região.
DocumentoPor que razão uma plataforma sub-regional é importante quando os espaços continentais subvalorizam as preocupações da África Ocidental, e as sete pressões climáticas que a região tem em comum.
Organizações ambientais, sindicatos, grupos de mulheres e de jovens, agricultores, pescadores, comunidades religiosas, investigadores, artistas e detentores de conhecimento indígena. A justiça climática não é um evento, uma conferência ou uma declaração. É uma prática diária de solidariedade.